Sunday, October 4, 2009

Despatriado mas Feliz

A poderosa Ciça convocou uma blogagem coletiva sobre ser Despatriado mas Feliz. E como eu sou uma menina mui obediente, fica registrado, abaixo, um pedacinho da minha experiência :o)


Pela família do meu pai ser toda alema (e nós virmos há cada três anos passar de dois a três meses por aqui), nunca me senti despatriada na Alemanha. Em compensacao, quando tinha 21 anos, morei por 1 ano na França (Annecy / Lyon), e aí sim foi uma adaptacao difícil. Eu havia feito intensivos de francês no Brasil, mas quando liguei o rádio e a tv, nao entendi nadica de nada! Fiz compras erradas (ao invés de limonada, comprei suco de limao puro: até hoje, quando penso no assunto, sinto as minhas bochechas se repuxando por dentro, hehehe), penei para acompanhar as aulas (vim por causa de um mestrado), penei ainda mais para conseguir um emprego (pelo mestrado eu precisava fazer um estágio, e foram cartas e mais cartas para finalmente conseguir um - em outra cidade, numa empresa multinacional), foram meses e mais meses sem ter novos amigos, de ir para casa e passar o final de semana sozinha, de ter um calendário e ficar marcando cruzinhas para quantos dias mais faltava para voltar ao Brasil...

Seis anos depois, fui morar por um ano em Bruxelas. E a gente aprende, até a ser uma melhor despatriada :o) No início chorei bastante pelos cantos (saudades dóoooi!), mas decidi que o período nao seria como foi na Franca. Curti mais, fiz aula de mambo, fiz trabalho voluntário (aliás, recomendo para todo mundo (expatriado ou nao): a gente ajuda e aprende muuuuuito para a própria vida! E nao vale a desculpa de nao ter tempo ou nao conhecer a língua direito. Meus primeiros trabalhos voluntários foram fazer compras para uma velhinha, e sair com uma menina com problemas de aprendizado - - ela tinha 16 anos com idade mental de 6 e me ensinou um monte!), fiz curso de línguas (eu sempre achei que curso de línguas era uma maneira interessante de conhecer novas pessoas, mas confesso que nunca fiz nenhum amigo em nenhum curso de línguas. Em compensacao, com a língua aprendida, fiz novos amigos em francês :-) ), fiz bastante atividade física, e saí muito com outros expatriados.

E, no fundo, ficam as palavras do meu pai, que é alemao e vive mais do que 50 anos expatriado no Brasil: o mais importante é você achar o máximo o lugar onde você está. Nao comparar com outros, nao sentir falta das coisas que você tinha antes. Se abrir para o novo, e aproveitar, aproveitar muito! :-)


14 comments:

Silvinha said...

Muito legal saber das suas experiências, Angie!

Beijo

SandraM said...

Ei Angie, também to nessa!

Katia Bonfadini said...

Angie, tenho que te dizer que você parece ser uma pessoa muito especial. Seu relato é bem interessante, confesso que sempre que conheço um brasileiro que está morando fora, fico curiosa pra saber como ele foi parar lá. Tem um programa novo no GNT que se chama "Fora de Casa", justamente sobre brasileiros expatriados. É muito interessante ver como as pessoas criam mecanismos pra se adaptar em diferentes cantos do mundo. Minha irmã do meio mora há dez anos nos Estados Unidos e sofreu muito até se adaptar. Até hoje ela preferiria voltar ao Brasil ou morar na Europa. Mas sei que ela conseguiu estabelecer algumas raízes e hoje tem um filhinho super fofo de quase dois anos que é metade americano e metade brasileiro. Eu gostaria muito de passar uns dois anos morando na França e visitando os países vizinhos... mas hoje isso não parece muito viável. Sei que a adaptação seria difícil, não tenho ilusões, mas também acho que a experiência e a bagagem que você ganha com isso é enorme! Parabéns pelo post e te desejo uma vida muito feliz em qualquer lugar do mundo!

Márcia said...

Angie, amei seu texto. Em breve escreverei sobre minhas próprias experiências despatriadas, mas enquanto isto não acontece, vou aprendendo com quem já tem muita experiência no assunto! Adorei a idéia do voluntariado, acho que vivências como esta nos ensinam lições maravilhosas.
Que Deus abençoe muito a você e sua família, adorei a dica do seu Vater: achar o lugar que a gente mora o máximo... Sinto que a Alemanha será mesmo meu destino :)
Bjim!

Jo Ann v. said...

Eu cresci entre Cuba, Angola e Portugal, vivi na Africa do Sul, estou na França... Acho que seria mais infeliz vivendo em Angola e pensando na França que o contrário. França é a casa do meu coração, pouco importa todas as viagens que fiz, todos as cidades onde morei. Meu porto seguro é aqui ;-)

Cacá said...

Angieee, adorei o post!!
Ciça arrasa nas idéias e vc arrasou na lição de vida.
Seu pai está certíssimo!!
Beijocas, adorei nosso café da manhã. :)

Nina said...

Angie! é isso!!!
vc tocou num dos pontos mais importantes na questao de morar num outro país, procurar o lado bom do lugar que te acolheu, Vejo um mooooooonte de gente falando mal da alemanha, fazendo comparacoes ridiculas, procurando sempre algo pra falar, eu acho o cumulo da falta de respeito.
Nossa,como eu detesto gente ingrata!

Bjs angie, to sem tempo pra net, to fazendo igual vc, estudando o idioma pra ver se melhoro um pouco esse meu alemao fuleiro :(

mariane said...

Angie! Com certeza a Kátia Bonfadini tem quase toda a razão, porque tu não parece ser uma pessoa especial, tu és, mesmo que as vezes dá uma peleia, isto faz parte do teu e do nosso show. Estou morrendo de saudades Beijos mary

Ciça Donner said...

Ai Angie... até as minhas bochechas se repuxaram aqui... Hesus me chicoteie!!

Obrigada por participar minha linda. As palavras de seu pai sao muito sabias!!!

.:Carola }i{:. said...

legal ler o ponto de vista de alguém que é metade cidadão por nascimento (^ᴗ^)❤

Celia said...

Gostar do pais que nos escolhemos e procurar se adaptar, é um caminho aberto a felicidade. Bj

Nade said...

É, Angie, saudade dói muito!
Que experiência deliciosa a sua!
Bela participação!
Também estou participando dessa, mesmo que more no Brasil, mas sou uma 'desnaturalizada'... rsrsrsrs
Bjs, querida!

Vem desfrutar do Amor de Deus said...

Angie,
seu pai está certissimo...assino embaixo as palavras dele.
Tambem acho que trabalho voluntários ajuda bastante e nos tras enormes recompensas. Eu tenho um trabalho voluntário aqui na minha cidade na casa do governador, que se tornou um museu e conta um pouco a história da cidade e de New Jersey. Faço dois dias por semana e posso lhe assegurar que é um alimento e tanto. Tambem, faço trabalho pra minha igreja, e este é o meu xodó porque ali sim eu sinto o quanto podemos ajudar ao próximo...mal eles sabem que eles na verdade nos ajudam...
Bjs e lindo domingo
Marcia

Georgia said...

E como dói essas separacoes. Nem me fale...

Um abraco